O QUE É REALMENTE ESSENCIAL?
Você ficou sabendo da greve dos metroviários em São Paulo? Claro que sim, não é mesmo? Essa foi a notícia mais transmitida pelos telejornais do dia 23 de maio; a greve afetou milhões de trabalhadores e, por consequência, a economia paulistana. A mobilização do governo para encerrar a greve foi imediata, no mesmo dia, por volta da 17:00 horas, os metroviários conseguiram o reajuste de 6,18% no salário e voltaram a trabalhar; agora responda: você sabia que os professores universitários federais entraram em greve, inclusive antes, dos metroviários?
Os professores universitários estão em greve em virtude das mesmas necessidades pelas quais os metroviários entraram, melhores condições de trabalho, agora porque uma categoria é atendida tão imediatamente em suas solicitações e a outra não é? Provavelmente algumas pessoas podem dizer que a paralisação do transporte público afeta a população como um todo, as cidades param os congestionamentos aumentam, enfim, tudo torna-se um caos, mas em relação a greve dos professores a população não é afetada diretamente, as cidades não param, continuam trabalhando. Ingenuidade de quem pensa dessa maneira, de modo bem simplório destacamos que somos afetados diretamente sim, por exemplo, muitas das instituições em greve prestam serviços considerados essenciais à população, como o atendimento nos Hospitais Universitários que, por falta de responsabilidade do poder público, são superlotados e ficarão ainda mais sem a atuação dos estudantes e professores, mas não podemos nos limitar a enxergar o que está apenas visível aos nossos olhos, temos que aprender a enxergar por trás da situação "os (as) professores (as) federais estão em greve em defesa da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade e de uma carreira digna, que reconheça o importante papel que os docentes têm na vida da população brasileira", eles solicitam re-estruturação do Plano de Carreira, mas, também solicitam melhorias essenciais para trabalho como, por exemplo, quadro completo de professores nas instituições de ensino, laboratórios, salas de aula em condições de uso, refeitórios ou restaurantes universitários, bebedouros e papel higiênico nos banheiros, são necessidades básicas que afeta diretamente a qualidade do ensino que está sendo ofertado ao aluno que futuramente será o profissional que atenderá o mercado de trabalho e que a população utilizará dos serviços desses profissionais formados em situações precárias; temos que nos dá conta que a educação é prioridade, que os profissionais devem ser tratados com respeito e serem valorizados, afinal, todos os outros profissionais são formados por meio do ensino e precariedade na educação é sinônimo de precariedade e atraso do nosso país. É importante que esteja claro à todos que condições dignas de trabalho são essenciais em qualquer profissão e que qualquer tipo de trabalho, do menos valorizado ao mais valorizado, é importante e nos afeta diretamente, quando os brasileiros derem conta desse fato e exigirem dignidade à todos os trabalhadores aí sim o Brasil poderá sair do patamar de subdesenvolvido para desenvolvido.